segunda-feira, 23 de agosto de 2010

Cientistas anunciam criação de genoma artificial

Cientistas do Instituto John Craig Venter (JCVI) conseguiram criar um genoma sintético, a primeira célula de bactéria sintética auto-replicante. O estudo, publicado na revista Science, representa um marco na Biologia e pode resolver problemas ambientais e energéticos, como os biocombustivéis e a criação rápida de vacinas.
Há quinze anos os cientistas tem se dedicado na tentativa de criar um genoma sintético. Em 2003, o grupo de cientista do instituto conseguiu sintetizar com sucesso um genoma de vírus pequeno que infecta bactéria. Em 2008, eles eram capazes de sintetizar um genoma pequeno de bactéria, mas não conseguiram ativa-lo na célula.
Agora, a equipe de 23 cientistas dirigada por Dr.Craig Venter, que participou do sequenciamento do genoma humano, Hamilton Smith e Clyde Hutchison alcançou o passo final na criação de uma bactéria sintética, sintetizando 1,08 milhão de pares de base do genoma de Mycoplasma mycoides.
21/05/10
Fonte: Instituto J. Craig Venter

sábado, 21 de agosto de 2010

Mergulhão-de-alaotra está em extinção segundo IUCN

A IUCN, União Internacional para Conservação da Natureza e dos Recursos Naturais, uma organização internacional dedicada à conservação dos recursos naturais, divulgou nesta quinta-feira uma atualização da Lista Vermelha de Espécies Ameaçadas de Aves em que considera o mergulhão-de-alaotra (Tachybaptus rufolavatus) extinto.
Restrita a uma pequena área do leste de Madagascar, esta espécie teve seu declive rapidamente depois que peixes carnivoros foram introduzidos nos lagos que vivia. Isto, junto com uso de redes de nylon por pescadores que capturaram e afogaram aves, tem levado estas espécies ao abismo.
“Nenhum esperança resta mais para estas espécies. É um outro exemplo de como as ações humanas podem ter consequências imprevistas”, disse Dr. Leon Bennun, Diretor de Ciências, Políticas e Informações da BirdLife International. “Espécies exóticas invasoras tem causado extinções em todo o mundo e permanece uma das maiores ameaças para as aves...”

Fonte: ICUN

sexta-feira, 20 de agosto de 2010

Projeto Genoma Humano poderá mudar radicalmente sua trajetória, avalia Fabrício dos Santos


Professor e pesquisador na área de genética e evolução na UFMG, Fabrício dos Santos encontra-se hoje à frente de diversos projetos brasileiros e internacionais que investigam a diversidade e evolução biológica. Não são apenas estudos de laboratório ou de área isolada. Haja vista o Projeto Genográfico, financiado pela National Geographic Society, do qual é coordenador para a América Latina: por meio de análise do DNA das populações indígenas da região, seu grupo busca reconstruir a história de povoamento do continente, antes do período das grandes navegações, em 1500.
Nesta entrevista ao Portal da UFMG, ele faz um breve balanço sobre os recém comemorados dez anos de sequenciamento do primeiro genoma humano e mostra as novas direções que o projeto está tomando, com o aprimoramento de tecnologias e o aumento do volume de dados disponíveis para análise. “Tentaremos trabalhar com muitos genomas ao mesmo tempo”, detalha o biólogo geneticista.
As promessas de terapias revolucionárias anunciadas pelo projeto Genoma Humano foram precipitadas?
Depende do que se chama de promessa. Um especialista, que sabe o que é o genoma, fala de uma perspectiva mais estrita. Mas se fala como político, isso ocorre numa janela muito grande. De qualquer forma, o genoma foi e é necessário porque sem ele não poderíamos concretizar centenas de outros projetos. Sequenciar, no entanto, é só uma parte do trabalho. Na realidade, em 2003 é que foi finalizado o primeiro genoma de um indivíduo, o que representava apenas uma pessoa em cerca de 6,4 bilhões no mundo inteiro. Hoje sabemos que esse universo é muito mais complexo, pois existe grande variação entre indivíduos. Há diversos achados que são de interesse da medicina, mas que para resolvê-los é preciso conhecer essa variação de genomas entre indivíduos. Então, não estamos falando de um, mas de milhares de genomas. Atualmente há pelo menos 15 genomas humanos completamente sequenciados e centenas de outros em processamento. Para o final deste ano há uma previsão de mais mil estarem concluídos.
O que vai permitir isso?
Houve um salto tecnológico nas máquinas de sequenciamento de alto desempenho. Elas são milhares de vezes mais rápidas do que as que contamos em nossa rede de sequenciamento, no Brasil, por exemplo. Com os novos equipamentos, os pesquisadores estão conseguindo fazer o trabalho muito rapidamente.
Quais mudanças elas trouxeram ao processo de sequenciamento?
A etapa de extração de DNA é idêntica, mas a de geração de sequências mudou. No processo antigo, após a obtenção de DNA puro, o sequenciamento era feito em várias etapas. Temos um tipo de sequenciador na UFMG que atua desse modo. Sequenciamos pedacinho por pedacinho do DNA e depois montamos essas pequenas partes até formar o genoma completo. O genoma humano completo possui 3 bilhões de pares de base [os nucleotídeos do DNA são bases nitrogenadas que se complementam: Guanina (G) + Adenina (A) ou Timina (T) + Citosina (C). Por esse motivo, os compostos GA e TC são chamados de pares de base]. Neles estão as variações que nos tornam diferentes. O ideal é ter o sequenciamento completo de cada indivíduo. Mas, com as máquinas antigas, o processo tomava muito tempo e por isso laboratórios do mundo inteiro se reuniram para que cada um sequenciasse os pedacinhos dos cromossomos. O trabalho demorou de 1990 a 2003. Na verdade, 90% do sequenciamento foi feito nos últimos três anos desse período.
Essa aceleração também decorreu da tecnologia?
Houve o início de um salto tecnológico com máquinas iguais às que hoje temos aqui na UFMG. Elas são mais rápidas e sequenciam mais "pedacinhos" ao mesmo tempo. Porém, com o outro salto tecnológico que começou em 2005-2006, os equipamentos passaram a fazer o sequenciamento todo de uma só vez. Essa é a diferença. Pelo novo método, o DNA é todo "picotado". A partir disso, bilhões de pedacinhos do genoma são sequenciados e lidos por um software no computador em pouco tempo. Hoje se calcula que, em até dois dias, seja possível gerar a sequência do genoma de uma pessoa.
Qual é então o novo desafio?
O problema não é tanto gerar os dados de sequência, mas analisá-los. É a etapa da bioinformática. O processo ainda é demorado e encontra-se defasado.
Identificar então uma mutação responsável por uma doença é como achar agulha em palheiro...
Se você sabe onde está o gene, não há problema. Porém, cerca de 20% dos genes humanos são conhecidos apenas por análise de computador. Não se sabe, biologicamente, o que eles são de verdade. Reconhecemos que é um gene porque possui uma estrutura específica, produz uma proteína. Mas sua função, ou seja, o que a proteína faz, não compreendemos muito. Esse era o grande problema do genoma inicial, porque uma questão é você dizer que vai sequenciar todo o DNA. Outra, é saber a função de todas as partes do genoma. Essa etapa de genômica funcional demanda muita pesquisa e é demorada de fazer.
Retornando à primeira pergunta, quando uma nova área da ciência desponta ela precisa se legitimar perante o público, os financiadores e o governo mostrando as aplicações que podem gerar. As promessas, por exemplo, de terapias gênicas, talvez tenham esse significado: demonstrar as boas repercussões para as pessoas...
É difícil para as pessoas compreenderem que não há como fazer essa segunda parte sem sequenciar o genoma. Mas muito foi feito depois do primeiro genoma. De 2003 para cá, foram identificadas várias funções dos genes. Isso ocorreu primeiro por meio do computador, depois foram analisadas as funções biológicas deles. Hoje, todos estão tentando buscar essas relações: entre o fenótipo, a característica do organismo e as doenças, e o genótipo, a parte do genoma onde está o gene responsável pelo fenótipo. Há doenças genéticas que são passadas de pai para filho que ainda não se sabe qual é o gene exato que as causam. Elas também demandam estudos médicos detalhados, como analisar o genoma de famílias. Um exemplo incomum: há um mês foi publicado o genoma de Lupinski, um geneticista da Universidade do Texas, em Houston.
Qual o diferencial?
Ele sequenciou o próprio genoma. Portador da doença de Charcot-Marie-Tooth, após anos de pesquisa convencional sem sucesso fez o próprio genoma e descobriu que herdou cópias defeituosas de um gene do pai e da mãe. Dessa forma, descobriu-se outro gene que está associado com a doença. O fenômeno ocorre pontualmente porque cada gene tem uma função diferente. Temos menos de 30 mil genes – e, antes do Projeto Genoma, pensávamos que fossem 100 mil. Sabemos muitas vezes que um gene está associado com uma doença, mas não entendemos exatamente sua função.
Veja as doenças neurológicas: talvez sejam as últimas a serem totalmente elucidadas. Mas como falar de uma doença se não conhecemos nem como o cérebro é formado? Não sabemos como os genes se associam e formam as células dos neurônios e, depois, como o cérebro gera esta estrutura que temos. Antes se dizia que quando se fizesse o genoma conheceríamos o que nos faz humanos, pois somos inteligentes, etc. Mas temos os mesmos genes expressos [em atividade] de um cérebro de chimpanzé, ainda não encontramos esta diferença que nos parece tão evidente.
Há um banco de genes com dados sobre o sequenciamento. Ele incorpora informações sobre a caracterização funcional?
O GenBank possui todos os dados de sequências de DNA feitas no mundo inteiro, de qualquer organismo. Ele é público e fica nos Estados Unidos. Nesse banco, você pode entrar em vários genomas como de vírus, bactérias, eucariotos e outros. Ele lista, por exemplo, vários genomas de animais e descreve também determinados cromossomos. Pode conter informações sobre provável relação de um gene com uma doença. Por exemplo, a descrição indica uma proteína A que aparece na célula de um órgão do corpo humano. Outras informações detalhadas devem ser buscadas em livros e artigos científicos.
Certa vez o senhor mencionou que o Projeto Genoma estaria entrando em nova etapa e que mudaria radicalmente a sua trajetória. Do que se trata?
Tentaremos trabalhar com muitos genomas ao mesmo tempo. Mas não sei se os computadores vão suportar tanta informação. Apenas um genoma humano pode ter três bilhões de pares de base...
Isso significa que a direção que o projeto está adotando é a de comparar genomas?
Sim, pois assim várias novas funções gênicas podem ser compreendidas.
Entre espécies diferentes?
Comparações entre espécies já se faz há muito tempo. Mas também entre indivíduos, para identificar variações. Por exemplo, em alguns indivíduos falta um gene, mas outros possuem genes duplicados ou mais cópias. O genoma é muito dinâmico e muito mais complexo do que imaginávamos.
O genoma ainda é um projeto de redes. A infraestrutura existente do Brasil é adequada?
A infraestrutura é boa para realizar vários projetos, como genomas de bactérias e outros genomas pequenos. Mas, para genomas humanos, é extremamente defasada. Recentemente, a China comprou 200 sequenciadores de última geração, que já mencionei. Eles estão muito dispostos a realizar pesquisa nessa área. Mas para isso precisaram desembolsar muito dinheiro. Esse volume de recurso para tal objetivo ainda não existe no Brasil, pelo menos na área de pesquisa biológica.
Qual o custo desse tipo de equipamento?
Depende do modelo. Mas o preço varia entre 400 mil dólares até pouco mais de um milhão de dólares. Dos sequenciadores que temos na UFMG, um custou 200 mil dólares e outro 140 mil dólares. Eles são de três gerações atrás e faziam bem genoma de bactéria. É essa mesma linha de equipamento que o Brasil tem.
Não há nenhum equipamento da nova geração no país?
Há alguns, mas encontram-se dispersos. Não temos um centro como na China e nos Estados Unidos, por exemplo. Eles fazem inúmeros genomas de uma vez. Isso permite que realizem estudos extremamente complicados. Mas os chineses também estão esbarrando em problemas. E estes são de análise. Porque, novamente, há dados demais de sequência de DNA e montá-los em computador demanda outro investimento. A China percebeu o problema e precisou comprar o computador mais rápido do mundo. Os Estados Unidos estão com receio, mas eles possuem esses centros também. Um projeto importante e arrojado em execução nos Estados Unidos, atualmente, é o sequenciamento de uma espécie de cada família de mamífero. Com esse trabalho esperam entender a função dos genes, porque eles aparecem em várias espécies diferentes.
Como a UFMG está em termos de grupos de pesquisa na área?
A UFMG possui grupos de pesquisa trabalhando com diversas espécies e organismos modelos. Aliás, a maior parte do conhecimento sobre os genes humanos só existe porque outros animais foram estudados como modelos. Por exemplo, muito do que se conhece em embriologia humana veio do estudo de outros organismos. É muito difícil pesquisar o embrião humano, as células humanas.
Excetuando Lupinski...
Mas ele analisou a si mesmo; como alguém vai questionar eticamente isso? Digo, como brincadeira, que ele é meu parente, pois parte do genoma dele eu tenho, e então, ele não poderia fazer isso!
A terapia gênica se destinaria mais ao embrião?
O Lupinski sabe muito bem disso: que esse conhecimento por ele obtido sobre o defeito genético da própria doença não será capaz de curá-lo. É um problema que se originou enquanto ele era zigoto, formando células, embrião, feto... Seria preciso agir no início, com uma terapia gênica. Mas ele pensa no futuro, na possibilidade de “consertar” o gene. Esse é um debate ético, e, portanto, nos leva a pensar: será que isso deve ser feito?
O genoma despertou discussões sobre o uso das biotecnologias, de novas possibilidades para o corpo humano...
Falei da busca de entendimento sobre a variação das sequências dos mesmos genes entre indivíduos. Não se sabe o que isso significa e o que representa no organismo. Porque falta muita pesquisa nessa etapa pós-genômica. Às vezes se imagina que, por estarmos no ano 2010, e já termos conseguido realizar muitas coisas, podemos responder a tudo. Não há como. É tudo muito recente. Na ciência, completamos 150 anos da teoria de evolução biológica, que unificou o conhecimento em biologia e mostrou sua complexidade. Toda a diversidade de proteínas e de espécies têm esse padrão de diferenciação gerada pela evolução, que ainda compreendemos relativamente pouco.
Essa diversidade genética tem impacto na resposta a doenças?
Por sorte, por exemplo, por ter uma determinada variante é que muita gente não vai morrer de Aids. Em torno de 10 a 20% da população mundial é naturalmente resistente à Aids. Possui e transmite o vírus, mas não desenvolve a doença. Pode ser que a parcela desses indivíduos venha a aumentar entre a população. Será que está aumentando a frequência desses genes? Isso é evolução. A Aids está sendo relativamente controlada hoje, mas, se voltar a ser uma pandemia, há maior chance de esses indivíduos resistentes terem mais descendentes do que os outros, daqui a algumas gerações. Esse é o processo de seleção natural.
Há relatos sobre esses casos na África. O dado que mencionou se refere a todas as regiões do mundo?
A África é onde existem mais casos de resistência natural à Aids, porém há ocorrência em outras regiões.
Esse fenômeno não decorre de a pandemia na África também ser maior?
Na verdade a Aids existe lá há mais tempo do que se imaginava. Na África muitos também morrem de Aids. Se estão morrendo, não estão tendo filhos. Logo, está diminuindo a frequência dos não resistentes. Os resistentes estão aumentando em frequência, pois estão tendo mais filhos. Como os filhos deles são geralmente resistentes, vão ter mais descendentes... Também a peste bubônica, na Europa Medieval, encontrou sobreviventes geneticamente resistentes. Hoje se sabe, após diversos estudos, que realmente aumentou bastante a frequência de genes de resistência à peste, porque a maioria dos europeus descende daqueles poucos que eram resistentes. Fala-se que a gripe espanhola também deixou vários resistentes e, por isso, a Europa, em tese, estaria mais protegida de uma gripe similar.
A variação genética está na base dessa sobrevivência a doenças...
É isso que se chama de medicina darwiniana, ou medicina evolutiva. Estamos compreendendo a causa de muitas doenças e processos de resistência porque vemos que ela é comum a outras espécies também.
Darwin então continua presente na era genômica...
Eu diria que o genoma é que demonstra que a ideia da seleção natural é válida. E cada vez mais. Acho que Darwin ficaria muito feliz se estivesse vendo os estudos sobre genoma. O que há de dados para analisar e comparar entre espécies é incrível... Tendo muito menos dados à disposição, chega a ser difícil imaginar como Darwin concebeu uma teoria tão consistente no século 19 e que é válida ainda hoje. 

Fonte: http://www.ufmg.br/online/arquivos/016061.shtml
Autor(a)/Créditos: UFMG, Notícias

XXII Semana Cientifica de Estudos Biologicos

 

A Semana Científica de Estudos Biológicos (SCEB) é realizada pela coordenação do Curso de Ciências Biológicas da Universidade Federal de Uberlândia, em parceira com alunos de graduação e grupos como o Diretório Acadêmico, Associoção Atlética da Biologia, PET - Programa de Educação Tutorial e Empresa Júnior (MinasBio).

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Coordenação geral do Evento:
Dra. Daniela Franco Carvalho Jacobucci (Coordenadora do Curso de Ciências Biológicas)
Msc. Gilvane Gonçalves Correa (Secretária da Coordenação da Graduação)

 

Inscrições

As incrições serão realizadas no período de 08 de agosto a 04 de outubro de 2010.
O valor da inscrição é R$ 20,00. O pagamento será feito via depósito - segue informações da conta:
Banco do Brasil
Conta: 53.628-8
Agência: 2918-1
Favorecido: Giuliano Buzá Jacobucci (Tutor do PET/Biologia - UFU)

maiores informações
http://www.sceb.ib.ufu.br/index.html

quinta-feira, 19 de agosto de 2010

Encontro anual de etologia

O XXVIII Encontro Anual de Etologia com o tema “Comportamento Animal e Conservação” e o II Simpósio Latino-Americano de Etologia, acontecerão no período de 12 a 15 de novembro de 2010, na Universidade Federal de Alfenas (UNIFAL), em Alfenas-MG.
O evento é uma realização da Sociedade Brasileira de Etologia (SBEt) e organizado pela UNIFAL, por meio do Laboratório de Ecologia de Fragmentos Florestais (ECOFRAG), docentes do Instituto de Ciências da Natureza e do Instituto de Ciências Exatas, um membro da Universidade José do Rosário Vellano (Unifenas) e outro do Instituto de Estudos Avançados da USP, bem como dois membros da comunidade externa.
O Encontro Anual de Etologia é um evento que ocorre sem interrupções desde 1983, estando em sua 28ª edição. O tema “Comportamento Animal e Conservação” foi escolhido para chamar a atenção dos participantes e da comunidade científica interessada em Etologia para as relações entre o estudo do comportamento animal e o dos problemas de conservação, tema ao qual não vinha sendo dada a atenção merecida nas versões anteriores do evento. Embora de suma importância, este assunto ainda não despertou o devido interesse entre os pesquisadores em Etologia e em Biologia da Conservação.
A abrangência do evento é internacional, tanto por contar com palestrantes de outros países, como pela ocorrência simultânea do Simpósio Latino-Americano de Etologia, evento cuja consolidação vem sendo buscada pela SBEt, procurando-se estimular cada vez mais a participação de pesquisadores e alunos de países da América Latina, dado que não há outro evento de caráter continental do gênero.

A marca registrada do evento é o perfil multidisciplinar dos seus participantes, visando congregar a comunidade científica e acadêmica interessada no estudo do comportamento animal, sob suas mais diversas abordagens e perspectivas. O foco comum é o interesse pelo estudo do comportamento animal, tema naturalmente transversal e com ramificações estendendo-se a diversas áreas do conhecimento. Em virtude disto, múltiplo é também o conteúdo do evento, que conta com trabalhos e palestras em áreas extremamente diversificadas dentro da Etologia.


Mais informação acesse o link abaixo:
http://www.unifal-mg.edu.br/etologia/?q=informacoes

Réptil extinto lembra mamífero



05/08/10

Agência FAPESP – Uma nova espécie de crocodiliano do Período Cretáceo (de cerca de 145,5 milhões a 65,5 milhões de anos atrás) foi descoberta no sudoeste da Tanzânia, com pernas mais finas e dentes que até então eram considerados exclusivos de mamíferos.

Os crocodilianos formam uma ordem de répteis aquáticos e ovíparos, que inclui os crocodilos, jacarés e o gavial, e são encontrados especialmente em regiões tropicais do mundo. Os crocodiliformes do Cretáceo, chamados de notossúquios, eram parentes distantes dos crocodilos e jacarés modernos.

Os notossúquios, que viviam nas massas terrestres do supercontinente Gondwana, tinham um nível de diversidade tanto morfológica como ecológica muito maior do que a encontrada nos atuais crocodilos. Um exemplo está na boca: em vez de fileiras de caninos cônicos e iguais, seus dentes eram divididos em tipos especializados em morder e em outros feitos para esmagar.

A descoberta da nova espécie, cujo fóssil foi encontrado em rochas de 105 milhões de anos, foi publicada na edição desta quinta-feira (5/8) da revista Nature.

Segundo Patrick O’Connor, do Ohio University College of Osteopathic Medicine, e colegas, na espécie, denominada Pakasuchus kapilimai, as fileiras superior e inferior de dentes entravam em contato de modo semelhante ao que até hoje havia sido observado apenas em mamíferos.

O animal também tinha o tamanho aproximado de um gato doméstico e era mais magro do que os crocodilianos atuais. Possuía ainda um pescoço flexível. Apesar das características inusitadas para a ordem, os cientistas afirmam que se tratava de um crocodiliforme.

A dentição mais complexa indica uma capacidade de processar alimentos que os crocodilos atuais – que simplesmente mordem e engolem – não possuem, mas os mamíferos sim.

De acordo com o estudo, o Pakasuchus kapilimai e outros notossúquios podem ter ocupado nichos ecológicos na Gondwana (supercontinente ao sul) que correspondiam aos preenchidos por mamíferos no hemisfério Norte.

“Um número de características dessa nova espécie – incluindo a redução no número de dentes e uma dentição especializada e similar à divisão em caninos, premolares e molares – é muito semelhante a características que foram críticas durante o curso da evolução dos mamíferos do Mesozóico para o Cenozóico”, disse O’Connor.

O artigo The evolution of mammal-like crocodyliforms in the Cretaceous Period of Gondwana (doi:10.1038/nature09061), de Patrick M. O’Connor e outros, pode ser lido por assinantes da Nature em http://www.nature.com

Autor(a)/Créditos: http://www.agencia.fapesp.br/materia/12581/divulgacao-cientifica/reptil-extinto-lembra-mamifero.htm

Estudo aponta despreparo de professores de Ciências em aulas de educação sexual


Estudo aponta despreparo de professores de Ciências em aulas de educação sexual

No Brasil, os professores de Ciências Biológicas com frequência não estão preparados para sanar as dúvidas dos estudantes do ensino fundamental sobre temas relativos à sexualidade. Isso acontece porque ao longo da formação desses profissionais a educação sexual é baseada quase que exclusivamente no aspecto biológico, deixando as dimensões humana e histórica em segundo plano. A constatação é da educadora Cláudia Ramos de Souza Bonfim, que acaba de defender tese de doutorado sobre o assunto na Faculdade de Educação (FE) da Unicamp, sob orientação do professor Sílvio Ancizar Sanches Gamboa. Segundo ela, as crianças e adolescentes de hoje anseiam por informações que vão além dos aspectos anatômicos e fisiológicos, e os educadores precisam estar aptos para preencher essa expectativa.

Atual vice-presidente da Associação Brasileira de Educação Sexual (Abrades), Cláudia Bonfim conta que o interesse em pesquisar o tema surgiu a partir da sua experiência como professora de Ciências em escolas de ensino fundamental. Ao deparar com as dúvidas dos alunos acerca de questões ligadas à sexualidade, ela própria percebeu que não havia sido devidamente preparada para esclarecê-los.

Quando o assunto é educação sexual, afirma a autora da tese, os cursos superiores de Ciências Biológicas costumam se ater quase que exclusivamente às vertentes anatômicas e fisiológicas dessa área do conhecimento. "Embora sejam importantes, elas não são suficientes para dar conta de explicar todos as nuances envolvidas num assunto tão relevante e complexo", afirma.

Sigmund Freud: Novos paradigmasConforme Cláudia Bonfim, ao falarem de educação sexual durante as aulas, os professores de Ciências normalmente repisam tópicos como métodos contraceptivos, gravidez precoce e doenças sexualmente transmissíveis. "É necessário dissociar a sexualidade dos seus aspectos meramente negativos, como a questão do pecado ou como um desejo vergonhoso, que precisa ser profundamente controlado e silenciado. Ao silenciar o prazer, a potencialidade afetiva e a possibilidade de realização plena, a sociedade e a escola reforçam uma sexualidade procriativa, utilitarista, banal e consumista", afirma. No seu entender, é preciso falar sobre esses tópicos, mas também é indispensável ir além. "É fundamental, por exemplo, desenvolver uma visão mais crítica acerca da construção da sexualidade, de modo a promover um resgate histórico, político e filosófico do tema", acrescenta a especialista.

Nesse sentido, a autora da tese defende a criação de uma disciplina que trate da sexualidade humana no curso de Ciências Biológicas. Este, insiste ela, deve contemplar a construção histórica da sexualidade desde a Biologia às Ciências Humanas e da Saúde, com uma maior atenção à cultura, às políticas e às cenas contemporâneas, cujos produtos midiáticos têm produzido "significações" que influem diretamente na forma com que a sexualidade vem sendo vivida. "Ademais, por ser um tema transversal, é desejável que o tema também seja tratado nos demais cursos de Licenciatura e Pedagogia".

Michel Foucault: novos paradigmasNo entender da vice-presidente da Abrades, a falta de conhecimento dos professores, somada ao despreparo das famílias para falar sobre sexualidade, contribui para a desinformação dos jovens. Estes, por sua vez, tentam esclarecer as dúvidas em fontes pouco confiáveis, como amigos, sítios da internet ou televisão. "Os docentes pouco conseguiram avançar na superação da visão moralista, repressiva e biologista, o que se consolida, como já dito, pela falta de formação adequada desses profissionais. Os educadores encontram grande dificuldade para abordar um tema tão necessário como a educação sexual, especialmente em tempos de globalização e de difusão, por parte da mídia, de uma avalanche precoce, banal e hedonista do sexo".

Ao exibir telenovelas com cenas em que as pessoas possuem vários relacionamentos ao mesmo tempo e reportagens de adolescentes que vão para as baladas para disputar quem beija mais, prossegue Cláudia Bonfim, a televisão banaliza a discussão. "Está faltando falar de afeto. Falta, ainda, dizer que a sexualidade não está restrita aos genitais. A sexualidade envolve a mente e o corpo todo". Na sociedade atual, acrescenta a autora da tese, a sexualidade foi animalizada em vez de ser humanizada. "Cada vez mais, busca-se o prazer pelo prazer. Estamos esquecendo de transmitir com naturalidade aos jovens que sexo é bom, faz bem, pode ser vivido plenamente até a velhice, mas tem que ser feito com respeito, admiração e afeto pelo parceiro".

Passagem

Como tema, a sexualidade sofreu uma passagem histórica do campo da Biologia para o das Ciências Humanas. Num primeiro momento, explica Cláudia Bonfim, a sexualidade não tinha um peso econômico. Sua função era essencialmente a de perpetuar a espécie. As questões relativas ao assunto eram analisadas a partir de uma visão notadamente biológica, fundada nas contribuições dadas pelas pesquisas de Darwin, Lamarck e Mendel. Entretanto, com a mudança dos modos de produção, proporcionada pela Revolução Industrial, outros aspectos passaram a ser considerados. "A sociedade patriarcal passou a depositar um grande peso na sexualidade. A abordagem assumiu um caráter moralista, sempre em conformidade com o que pregava a Igreja Católica. Por essa posição, o sexo só poderia ser vivido dentro do casamento. A Igreja ainda nos condicionou a uma repressão sexual, não necessariamente para controlar nossos prazeres, mas para ter controle sobre aquilo que a sociedade considera fundamental: a garantia da perpetuação e legitimação da propriedade privada", detalha a pesquisadora.

A educadora Cláudia Ramos de Souza Bonfim: "É fundamental desenvolver uma visão mais crítica acerca da construção da sexualidade"A questão do filho legítimo, segundo ela, é exemplar nesse sentido. Ele era necessário para que o patriarca pudesse ter a quem deixar a herança da família. Ademais, o corpo permaneceu sendo visto como algo desprovido de sexualidade durante muito tempo. Era considerado antes de tudo um instrumento de trabalho. "A sexualidade humana não constituiu objeto de saber até o século XVII. A moral reinante prescrevia o silêncio sobre o sexo. Somente nos séculos XVII e XVIII é que são produzidos, por interesses diversos, como a expansão colonial, a industrialização incipiente e a consequente necessidade de povoação das colônias, novos discursos sobre a procriação e a sexualidade". O tema somente começou a ser objeto de uma reflexão humanista e crítica graças aos trabalhos de Marcuse, Engels, Foucault e Freud.

Atualmente, reforça Cláudia Bonfim, a sociedade vulgarizou ao extremo a sexualidade. "Nós ainda não conseguimos estabelecer um equilíbrio entre a repressão e a banalidade. Muitos pais vestem suas filhas de seis ou sete anos com roupas adultas, expondo precocemente a sua sexualidade, por meio de uma erotização inconsciente do corpo da criança. Não por acaso, as adolescentes estão ficando grávidas cada vez mais cedo. Sem que busquemos uma base histórica, filosófica e crítica, não conseguiremos alterar essa situação. Penso que o educador, com a devida contribuição da família, deve cumprir um papel central nessa tarefa, mas ele precisa ser devidamente qualificado para tal. Um integrante da banca que avaliou minha tese chegou a me perguntar se a minha visão não seria utópica. O que respondi é que se trata de uma utopia lúcida e desafiadora", finaliza a educadora, que trabalha atualmente como docente no curso de Pedagogia da Faculdade Dom Bosco e na Secretaria de Educação de Cornélio Procópio, município do Estado do Paraná.

Autor(a)/Créditos: Jornal da Unicamp, MANUEL ALVES FILHO

quarta-feira, 18 de agosto de 2010

Links noticia


Links de noticias no mundo da ciencia:

Revista Ciência da Informação: http://revista.ibict.br/ciinf/index.php/ciinf/index

Instituto Brasileiro de Informação em Ciência e Tecnologia: http://www.ibict.br/

Pescoço ... mais importante do que se pensa!!!


O pescoço da evolução

05/08/10

Agência FAPESP – Aquele pequeno pedaço do corpo entre a cabeça e os ombros foi mais importante para a evolução humana do que se pensava. Segundo um novo estudo, o pescoço deu ao homem tamanha liberdade de movimentos que teve papel fundamental na evolução.

A conclusão deriva da análise genética do homem e de peixes e foi publicada nesta terça-feira na revista on-line Nature Communications, em artigo com acesso livre.

Cientistas achavam que as nadadeiras peitorais em peixes e os membros superiores (braços e mãos) em humanos fossem inervados (recebessem nervos) a partir dos mesmos neurônios. Afinal, nadadeiras e braços parecem estar no mesmo local no corpo.

Não exatamente. De acordo com a pesquisa, durante a transição ocorrida entre peixes e animais que passaram a caminhar sobre a terra – que deu origem aos mamíferos –, a fonte dos neurônios que controlam diretamente os membros superiores se deslocou do cérebro para a medula espinhal, à medida que o tronco se distanciou da cabeça e entrou em cena o pescoço.

Os braços no homem, assim como as asas de aves e morcegos, separaram-se da cabeça e ficaram posicionados no tronco, abaixo do pescoço, indica o estudo feito por Andrew Bass, da Universidade Cornell, nos Estados Unidos, e colegas.

“O pescoço possibilitou o avanço em movimentos e na destreza em ambientes terrestres e aéreos. Essa inovação em biomecânica ocorreu simultaneamente a mudanças no modo em que o sistema nervoso controla os membros”, disse Bass.

De acordo com o pesquisador, o surgimento desse nível de plasticidade evolutiva provavelmente é responsável pela grande variedade de funções dos membros superiores, do voo em aves e do nadar em baleias e golfinhos às habilidades humanas.

O artigo Ancestry of motor innervation to pectoral fin and forelimb (doi:10.1038/ncomms1045), de Andrew Bass e outros, pode ser lido na Nature Communications em http://www.nature.com/ncomms/journal/v1/n4/full/ncomms1045.html

Fonte: Agência FAPESP

Autor(a)/Créditos: http://www.agencia.fapesp.br/materia/12534/divulgacao-cientifica/o-pescoco-da-evolucao.htm


De sua opinião sobre; O QUE VC ACHA DA EVOLUÇÃO?

MEDO!!!!!


Feromônio do medo

18/05/10

Agência FAPESP – Um grupo de pesquisadores do Brasil e dos Estados Unidos descobriu um composto químico que, secretado por diversos predadores, provoca o comportamento de medo em camundongos. A pesquisa, segundo os autores, contribui para aumentar a compreensão sobre o comportamento animal pode abrir caminho, no futuro, a entender como as informações sensoriais são processadas no cérebro humano.

O artigo que descreve os resultados do estudo – e foi capa da edição da última sexta-feira (14/5) da revista Cell – é assinado por Fabio Papes, professor do Instituto de Biologia da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), Darren Logan e Lisa Stowers, pesquisadores do Instituto de Pesquisa Scripps, dos Estados Unidos.

Os experimentos foram apresentados e explicados pelos pesquisadores em vídeo disponibilizado pela Cell na internet.

De acordo com Papes, metade de sua contribuição à pesquisa foi realizada durante seu pós-doutorado no instituto norte-americano, entre 2006 e 2008. De volta ao Brasil há um ano e oito meses, deu continuidade aos estudos na Unicamp, com apoio da FAPESP na modalidade Auxílio à Pesquisa – Jovem Pesquisador.

Segundo ele, o estudo demonstrou que no órgão vomeronasal – órgão presente nas narinas de muitas espécies de animais e capaz de captar os mensageiros químicos conhecidos como feromônios – há neurônios específicos para detectar as moléculas que induzem ao medo.

Pelos próximos três anos, com o projeto Jovem Pesquisador, Papes estudará quais são os receptores que detectam essas moléculas, de que maneira essa detecção resulta em atividade elétrica no cérebro e como esse processo é interpretado para gerar um comportamento.

“A compreensão desse sistema poderá nos ajudar no futuro a controlar problemas como fobias, o estresse pós-traumático – que gera custos sociais muito grandes –, síndrome do pânico e esquizofrenia, por exemplo”, disse Papes à Agência FAPESP.

De acordo com Papes, nos sistemas sensoriais da visão, da audição e do olfato, os estímulos físicos – respectivamente a luz, o som e as moléculas – são transformados pelo sistema nervoso em atividade elétrica. Esses impulsos elétricos transmitidos por células neurais, são interpretados e transformados em respostas comportamentais ou hormonais.

“O estudo dessa transformação é importante do ponto de vista médico, porque doenças mentais, neurodegenerativas e fobias estão ligadas a esse mecanismo. O sistema olfativo é um excelente modelo para o estudo dessa transformação, porque a ligação entre estímulo e comportamento é direta, independente do aprendizado e da memória. Os animais respondem de maneira inata a algumas moléculas”, explicou.

Camundongos mutantes

O medo, de acordo com Papes, por ser um comportamento que tem relação com o sistema olfativo e gera respostas inatas em animais, foi escolhido como foco do estudo. Dados da literatura mostravam que camundongos de laboratório respondiam de maneira inata ao odor de seus predadores sem qualquer contato visual com eles – mesmo que jamais tivessem sido expostos a esses odores.

“Os animais reagiam com comportamento de medo mesmo sem qualquer experiência prévia com os predadores. Isso indicava que os camundongos tinham genes que os preparavam para detectar os odores e dar uma resposta comportamental. Decidimos então estudar a lógica dessas respostas sob o ponto de vista molecular: quais são os compostos envolvidos, quais são os receptores e como os neurônios envolvidos fazem a transformação do estímulo em comportamento de medo”, disse Papes.

O órgão volmeronasal, descoberto há cerca de 200 anos e presente em todos os vertebrados terrestres, segundo Papes, é um tubo de fundo cego que está conectado à cavidade nasal por um canículo. A parede em torno de seu centro vazado é formada por neurônios expostos ao meio – algo incomum nos organismos. “O órgão está envolvido na geração de diversos comportamentos, sejam eles sexuais, de agressividade e, como agora mostra a nova pesquisa, de medo”, disse.

Com as novas tecnologias disponíveis, que permitem manipular geneticamente os camundongos, foram criadas linhagens de animais mutantes cujo órgão volmeronasal não possui função. Com isso, tornou-se possível determinar com certeza quando o órgão está ou não envolvido com uma resposta comportamental.

“O experimento inicial consistiu em avaliar a resposta de medo de camundongos a odores de diversos predadores, como gatos, cobras, ratos e furões.Ao contrário dos camundongos normais, que têm respostas comportamentais a esses odores, os animais mutantes não tiveram resposta apropriada. Ao contrário, a resposta originalmente defensiva se transformou em resposta atrativa: os mutantes eram atraídos pelo odor dos predadores”, afirmou.

Além da exposição aos odores, os camundongos também foram colocados juntos aos predadores anestesiados. O resultado foi surpreendente: os camundongos mutantes foram atraídos pelos predadores, ainda que os outros sistemas sensoriais não estivessem alterados. Com essa abordagem genética e celular, os pesquisadores confirmaram o envolvimento do órgão volmeronasal com as respostas comportamentais.

Identificando a “proteína do medo”

O próximo passo consistia em descobrir quais são as moléculas e os odores que induzem à resposta comportamental. Não se trata de uma busca trivial: os odores são formados de compostos complexos, em concentração muito baixa. “São moléculas soltas no ar”, disse Papes. O grupo decidiu estudar os odores que induzem à resposta de medo na urina de ratos. O material foi submetido a um fracionamento bioquímico, isto é, a mistura complexa foi dividida em diversas frações de compostos purificados.

“Testamos cada uma das frações em ensaios comportamentais até identificar o composto purificado que induz ao comportamento de medo em resposta à urina de rato. Analisamos esse composto com espectrometria de massas para identificar seus componentes e descobrimos que se tratava de proteínas – algo incomum, pois a maior parte dos odores correspondem a moléculas pequenas e voláteis”, disse.

A proteína descoberta, segundo Papes, pertence à família das Proteínas Majoritárias da Urina (MUP, na sigla em inglês), que são secretadas na urina, na saliva, no suor, e no sangue. Um experimento complementar foi feito para provar que a proteína era de fato responsável pelo estímulo: a molécula foi produzida sinteticamente, a fim de garantir que não houve qualquer contaminação, e os animais foram novamente expostos a ela. O fenômeno comportamental permaneceu semelhante ao observado com o odor da urina de rato.

Em seguida, os cientistas procuraram determinar quais eram as células sensoriais envolvidas. O tubo do órgão vomeronasal é recoberto por neurônios que não são homogêneos: cada um tem um receptor diferente. A complexidade do sistema olfativo é muito ampla, segundo Papes. Na retina há três tipos de receptores, o que permite enxergar milhões de cores diferentes. Enquanto isso, no sistema olfativo, existem mais de 1.500 receptores – é a maior família de proteínas existente na natureza.

“Isso acontece porque a quantidade de moléculas detectadas pelo sistema olfativo é muito mais ampla que as faixas do espectro de luz. No caso dos humanos, o sistema visual suplantou a capacidade olfativa, mas para todas as espécies de mamíferos o olfato é o principal sistema sensorial”, disse o cientista.

Neurônios específicos

Se cada neurônio dentro do tubo do órgão vomeronasal expressa proteínas diferentes, os cientistas queriam saber se existem células específicas para detectar exclusivamente os “feromônios do medo”. Para entender a lógica celular do processo, os pesquisadores realizaram mais um experimento, utilizando a técnica conhecida como cálcio intracelular.

Esse experimento consistiu em colocar dentro de uma célula neuronal um corante fluorescente que responde ao cálcio. Quando a célula é ativada, o cálcio penetra em seu interior e se liga ao corante. Com uma técnica especial de microscopia, o grupo conseguiu observar com precisão quando a célula neuronal com corante era ativada. Como se trata de um pequeno órgão no interior da cabeça, o experimento não podia ser feito in vivo. Assim, o órgão vomeronasal foi removido e os neurônios foram estudados in vitro.

“Expusemso esses neurônios com corante fluorescente aos odores. Assim pudemos constatar que de fato as proteínas que identificamos – esse ‘feromônios do medo’ – eram detectados, no órgão vomeronasal, por uma população de neurônios específica para esse tipo de estímulo”, afirmou Papes.

A partir de agora, o cientista se dedicará a estudar quais são os receptores que, nesses neurônios especiais, detectam as MUP e de que maneira essa detecção resulta em atividade elétrica dentro do cérebro.

O artigo The Vomeronasal Organ Mediates Interspecies Defensive Behaviors through Detection of Protein Pheromone Homologs, de Fabio Paepes, Darren Logan e Lisa Stowers, pode ser lido por assinantes da Cell em http://www.cell.com

Reduzir o tamanho da classe X ampliar o tempo de instrução



Este video foi feito, pelos alunos de licenciatura em ciencias biologicas da UFTM, para a apresentação da diciplina Politicas Educacionais, cujo tema era discutir algumas proposta sugeridas pelo Banco Mundial, onde este, sugeria:
  • Aumentar o número de alunos por professor
  • Adotar recursos para melhor o rendimento
  • Tamanho da classe não incide no rendimento escolar
  • Estender o ano escolar (modelo europeu) x reforma profunda no ensino
  • Atribuir tarefas para casa

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Belém (12/08/2010) – Traficantes da fauna silvestre tentaram nesta quinta-feira (12/08) enviar pelo correio três jibóias-arco-íris (Epicrates cenchria) e uma periquitambóia (Corallus Caninus) de Belém, no Pará, para uma chácara em São Paulo. As serpentes amazônicas foram despachadas escondidas numa caixa de Sedex, cada uma dentro de um saco de pano, mas foram reveladas pelo sistema de Raio-X da agência dos Correios Telégrafo Sem-fio, no centro da capital. Os bombeiros foram chamados pelos funcionários para recolher o pacote, que foi entregue ao Ibama.

“A forma como os animais eram transportados é típica do tráfico. Já apreendemos cobras dentro de sacos e meias presos à cintura de passageiros até no embarque do aeroporto Val-de-Cães”, diz o chefe da Divisão de Fauna do Ibama no Pará, Leandro Aranha. Segundo ele, tanto a jibóia-arco-íris, que está ameaçada de extinção, como a periquitambóia, são muito procuradas para serem criadas como animais de estimação por serem dóceis e coloridas.

No início da tarde, agentes da Divisão de Fiscalização do órgão ambiental vistoriaram o local indicado pelo remetente das serpentes, mas o endereço era falso. A Superintendência do Ibama em São Paulo vai inspecionar a chácara para onde elas seriam despachadas em buscas de evidências de cativeiro de animais silvestres.

Se identificados, os autores do crime ambiental serão multados em R$ 15,5 mil e responderão a processos civis e penais. As serpentes serão devolvidas à natureza ou destinadas a criatórios conservacionistas, após exame dos veterinários do Ibama.

A legislação ambiental hoje não permite a criação de cobras como animal de estimação, a não ser que possuam identificação por microchip, e tenham origem comprovadamente legal. Ou seja, tenham sido adquiridas dos criadouros autorizados pelo Ibama antes da proibição da legislação, e nunca capturadas na natureza.

Fotos: Nelson Feitosa

Autor(a)/Créditos: Nelson Feitosa - Ascom/Ibama/PA