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segunda-feira, 23 de agosto de 2010
Cientistas anunciam criação de genoma artificial
sábado, 21 de agosto de 2010
Mergulhão-de-alaotra está em extinção segundo IUCN
sexta-feira, 20 de agosto de 2010
Projeto Genoma Humano poderá mudar radicalmente sua trajetória, avalia Fabrício dos Santos
XXII Semana Cientifica de Estudos Biologicos
A Semana Científica de Estudos Biológicos (SCEB) é realizada pela coordenação do Curso de Ciências Biológicas da Universidade Federal de Uberlândia, em parceira com alunos de graduação e grupos como o Diretório Acadêmico, Associoção Atlética da Biologia, PET - Programa de Educação Tutorial e Empresa Júnior (MinasBio).
Inscrições
quinta-feira, 19 de agosto de 2010
Encontro anual de etologia
O evento é uma realização da Sociedade Brasileira de Etologia (SBEt) e organizado pela UNIFAL, por meio do Laboratório de Ecologia de Fragmentos Florestais (ECOFRAG), docentes do Instituto de Ciências da Natureza e do Instituto de Ciências Exatas, um membro da Universidade José do Rosário Vellano (Unifenas) e outro do Instituto de Estudos Avançados da USP, bem como dois membros da comunidade externa.
O Encontro Anual de Etologia é um evento que ocorre sem interrupções desde 1983, estando em sua 28ª edição. O tema “Comportamento Animal e Conservação” foi escolhido para chamar a atenção dos participantes e da comunidade científica interessada em Etologia para as relações entre o estudo do comportamento animal e o dos problemas de conservação, tema ao qual não vinha sendo dada a atenção merecida nas versões anteriores do evento. Embora de suma importância, este assunto ainda não despertou o devido interesse entre os pesquisadores em Etologia e em Biologia da Conservação.
A abrangência do evento é internacional, tanto por contar com palestrantes de outros países, como pela ocorrência simultânea do Simpósio Latino-Americano de Etologia, evento cuja consolidação vem sendo buscada pela SBEt, procurando-se estimular cada vez mais a participação de pesquisadores e alunos de países da América Latina, dado que não há outro evento de caráter continental do gênero.
A marca registrada do evento é o perfil multidisciplinar dos seus participantes, visando congregar a comunidade científica e acadêmica interessada no estudo do comportamento animal, sob suas mais diversas abordagens e perspectivas. O foco comum é o interesse pelo estudo do comportamento animal, tema naturalmente transversal e com ramificações estendendo-se a diversas áreas do conhecimento. Em virtude disto, múltiplo é também o conteúdo do evento, que conta com trabalhos e palestras em áreas extremamente diversificadas dentro da Etologia.
Mais informação acesse o link abaixo:
http://www.unifal-mg.edu.br/etologia/?q=informacoes
Réptil extinto lembra mamífero

05/08/10
Agência FAPESP – Uma nova espécie de crocodiliano do Período Cretáceo (de cerca de 145,5 milhões a 65,5 milhões de anos atrás) foi descoberta no sudoeste da Tanzânia, com pernas mais finas e dentes que até então eram considerados exclusivos de mamíferos.
Os crocodilianos formam uma ordem de répteis aquáticos e ovíparos, que inclui os crocodilos, jacarés e o gavial, e são encontrados especialmente em regiões tropicais do mundo. Os crocodiliformes do Cretáceo, chamados de notossúquios, eram parentes distantes dos crocodilos e jacarés modernos.
Os notossúquios, que viviam nas massas terrestres do supercontinente Gondwana, tinham um nível de diversidade tanto morfológica como ecológica muito maior do que a encontrada nos atuais crocodilos. Um exemplo está na boca: em vez de fileiras de caninos cônicos e iguais, seus dentes eram divididos em tipos especializados em morder e em outros feitos para esmagar.
A descoberta da nova espécie, cujo fóssil foi encontrado em rochas de 105 milhões de anos, foi publicada na edição desta quinta-feira (5/8) da revista Nature.
Segundo Patrick O’Connor, do Ohio University College of Osteopathic Medicine, e colegas, na espécie, denominada Pakasuchus kapilimai, as fileiras superior e inferior de dentes entravam em contato de modo semelhante ao que até hoje havia sido observado apenas em mamíferos.
O animal também tinha o tamanho aproximado de um gato doméstico e era mais magro do que os crocodilianos atuais. Possuía ainda um pescoço flexível. Apesar das características inusitadas para a ordem, os cientistas afirmam que se tratava de um crocodiliforme.
A dentição mais complexa indica uma capacidade de processar alimentos que os crocodilos atuais – que simplesmente mordem e engolem – não possuem, mas os mamíferos sim.
De acordo com o estudo, o Pakasuchus kapilimai e outros notossúquios podem ter ocupado nichos ecológicos na Gondwana (supercontinente ao sul) que correspondiam aos preenchidos por mamíferos no hemisfério Norte.
“Um número de características dessa nova espécie – incluindo a redução no número de dentes e uma dentição especializada e similar à divisão em caninos, premolares e molares – é muito semelhante a características que foram críticas durante o curso da evolução dos mamíferos do Mesozóico para o Cenozóico”, disse O’Connor.
O artigo The evolution of mammal-like crocodyliforms in the Cretaceous Period of Gondwana (doi:10.1038/nature09061), de Patrick M. O’Connor e outros, pode ser lido por assinantes da Nature em http://www.nature.com
Estudo aponta despreparo de professores de Ciências em aulas de educação sexual
Estudo aponta despreparo de professores de Ciências em aulas de educação sexual
No Brasil, os professores de Ciências Biológicas com frequência não estão preparados para sanar as dúvidas dos estudantes do ensino fundamental sobre temas relativos à sexualidade. Isso acontece porque ao longo da formação desses profissionais a educação sexual é baseada quase que exclusivamente no aspecto biológico, deixando as dimensões humana e histórica em segundo plano. A constatação é da educadora Cláudia Ramos de Souza Bonfim, que acaba de defender tese de doutorado sobre o assunto na Faculdade de Educação (FE) da Unicamp, sob orientação do professor Sílvio Ancizar Sanches Gamboa. Segundo ela, as crianças e adolescentes de hoje anseiam por informações que vão além dos aspectos anatômicos e fisiológicos, e os educadores precisam estar aptos para preencher essa expectativa.
Atual vice-presidente da Associação Brasileira de Educação Sexual (Abrades), Cláudia Bonfim conta que o interesse em pesquisar o tema surgiu a partir da sua experiência como professora de Ciências em escolas de ensino fundamental. Ao deparar com as dúvidas dos alunos acerca de questões ligadas à sexualidade, ela própria percebeu que não havia sido devidamente preparada para esclarecê-los.
Quando o assunto é educação sexual, afirma a autora da tese, os cursos superiores de Ciências Biológicas costumam se ater quase que exclusivamente às vertentes anatômicas e fisiológicas dessa área do conhecimento. "Embora sejam importantes, elas não são suficientes para dar conta de explicar todos as nuances envolvidas num assunto tão relevante e complexo", afirma.
Sigmund Freud: Novos paradigmasConforme Cláudia Bonfim, ao falarem de educação sexual durante as aulas, os professores de Ciências normalmente repisam tópicos como métodos contraceptivos, gravidez precoce e doenças sexualmente transmissíveis. "É necessário dissociar a sexualidade dos seus aspectos meramente negativos, como a questão do pecado ou como um desejo vergonhoso, que precisa ser profundamente controlado e silenciado. Ao silenciar o prazer, a potencialidade afetiva e a possibilidade de realização plena, a sociedade e a escola reforçam uma sexualidade procriativa, utilitarista, banal e consumista", afirma. No seu entender, é preciso falar sobre esses tópicos, mas também é indispensável ir além. "É fundamental, por exemplo, desenvolver uma visão mais crítica acerca da construção da sexualidade, de modo a promover um resgate histórico, político e filosófico do tema", acrescenta a especialista.
Nesse sentido, a autora da tese defende a criação de uma disciplina que trate da sexualidade humana no curso de Ciências Biológicas. Este, insiste ela, deve contemplar a construção histórica da sexualidade desde a Biologia às Ciências Humanas e da Saúde, com uma maior atenção à cultura, às políticas e às cenas contemporâneas, cujos produtos midiáticos têm produzido "significações" que influem diretamente na forma com que a sexualidade vem sendo vivida. "Ademais, por ser um tema transversal, é desejável que o tema também seja tratado nos demais cursos de Licenciatura e Pedagogia".
Michel Foucault: novos paradigmasNo entender da vice-presidente da Abrades, a falta de conhecimento dos professores, somada ao despreparo das famílias para falar sobre sexualidade, contribui para a desinformação dos jovens. Estes, por sua vez, tentam esclarecer as dúvidas em fontes pouco confiáveis, como amigos, sítios da internet ou televisão. "Os docentes pouco conseguiram avançar na superação da visão moralista, repressiva e biologista, o que se consolida, como já dito, pela falta de formação adequada desses profissionais. Os educadores encontram grande dificuldade para abordar um tema tão necessário como a educação sexual, especialmente em tempos de globalização e de difusão, por parte da mídia, de uma avalanche precoce, banal e hedonista do sexo".
Ao exibir telenovelas com cenas em que as pessoas possuem vários relacionamentos ao mesmo tempo e reportagens de adolescentes que vão para as baladas para disputar quem beija mais, prossegue Cláudia Bonfim, a televisão banaliza a discussão. "Está faltando falar de afeto. Falta, ainda, dizer que a sexualidade não está restrita aos genitais. A sexualidade envolve a mente e o corpo todo". Na sociedade atual, acrescenta a autora da tese, a sexualidade foi animalizada em vez de ser humanizada. "Cada vez mais, busca-se o prazer pelo prazer. Estamos esquecendo de transmitir com naturalidade aos jovens que sexo é bom, faz bem, pode ser vivido plenamente até a velhice, mas tem que ser feito com respeito, admiração e afeto pelo parceiro".
Passagem
Como tema, a sexualidade sofreu uma passagem histórica do campo da Biologia para o das Ciências Humanas. Num primeiro momento, explica Cláudia Bonfim, a sexualidade não tinha um peso econômico. Sua função era essencialmente a de perpetuar a espécie. As questões relativas ao assunto eram analisadas a partir de uma visão notadamente biológica, fundada nas contribuições dadas pelas pesquisas de Darwin, Lamarck e Mendel. Entretanto, com a mudança dos modos de produção, proporcionada pela Revolução Industrial, outros aspectos passaram a ser considerados. "A sociedade patriarcal passou a depositar um grande peso na sexualidade. A abordagem assumiu um caráter moralista, sempre em conformidade com o que pregava a Igreja Católica. Por essa posição, o sexo só poderia ser vivido dentro do casamento. A Igreja ainda nos condicionou a uma repressão sexual, não necessariamente para controlar nossos prazeres, mas para ter controle sobre aquilo que a sociedade considera fundamental: a garantia da perpetuação e legitimação da propriedade privada", detalha a pesquisadora.
A educadora Cláudia Ramos de Souza Bonfim: "É fundamental desenvolver uma visão mais crítica acerca da construção da sexualidade"A questão do filho legítimo, segundo ela, é exemplar nesse sentido. Ele era necessário para que o patriarca pudesse ter a quem deixar a herança da família. Ademais, o corpo permaneceu sendo visto como algo desprovido de sexualidade durante muito tempo. Era considerado antes de tudo um instrumento de trabalho. "A sexualidade humana não constituiu objeto de saber até o século XVII. A moral reinante prescrevia o silêncio sobre o sexo. Somente nos séculos XVII e XVIII é que são produzidos, por interesses diversos, como a expansão colonial, a industrialização incipiente e a consequente necessidade de povoação das colônias, novos discursos sobre a procriação e a sexualidade". O tema somente começou a ser objeto de uma reflexão humanista e crítica graças aos trabalhos de Marcuse, Engels, Foucault e Freud.
Atualmente, reforça Cláudia Bonfim, a sociedade vulgarizou ao extremo a sexualidade. "Nós ainda não conseguimos estabelecer um equilíbrio entre a repressão e a banalidade. Muitos pais vestem suas filhas de seis ou sete anos com roupas adultas, expondo precocemente a sua sexualidade, por meio de uma erotização inconsciente do corpo da criança. Não por acaso, as adolescentes estão ficando grávidas cada vez mais cedo. Sem que busquemos uma base histórica, filosófica e crítica, não conseguiremos alterar essa situação. Penso que o educador, com a devida contribuição da família, deve cumprir um papel central nessa tarefa, mas ele precisa ser devidamente qualificado para tal. Um integrante da banca que avaliou minha tese chegou a me perguntar se a minha visão não seria utópica. O que respondi é que se trata de uma utopia lúcida e desafiadora", finaliza a educadora, que trabalha atualmente como docente no curso de Pedagogia da Faculdade Dom Bosco e na Secretaria de Educação de Cornélio Procópio, município do Estado do Paraná.
Autor(a)/Créditos: Jornal da Unicamp, MANUEL ALVES FILHOquarta-feira, 18 de agosto de 2010
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Pescoço ... mais importante do que se pensa!!!
O pescoço da evolução
05/08/10
Agência FAPESP – Aquele pequeno pedaço do corpo entre a cabeça e os ombros foi mais importante para a evolução humana do que se pensava. Segundo um novo estudo, o pescoço deu ao homem tamanha liberdade de movimentos que teve papel fundamental na evolução.
A conclusão deriva da análise genética do homem e de peixes e foi publicada nesta terça-feira na revista on-line Nature Communications, em artigo com acesso livre.
Cientistas achavam que as nadadeiras peitorais em peixes e os membros superiores (braços e mãos) em humanos fossem inervados (recebessem nervos) a partir dos mesmos neurônios. Afinal, nadadeiras e braços parecem estar no mesmo local no corpo.
Não exatamente. De acordo com a pesquisa, durante a transição ocorrida entre peixes e animais que passaram a caminhar sobre a terra – que deu origem aos mamíferos –, a fonte dos neurônios que controlam diretamente os membros superiores se deslocou do cérebro para a medula espinhal, à medida que o tronco se distanciou da cabeça e entrou em cena o pescoço.
Os braços no homem, assim como as asas de aves e morcegos, separaram-se da cabeça e ficaram posicionados no tronco, abaixo do pescoço, indica o estudo feito por Andrew Bass, da Universidade Cornell, nos Estados Unidos, e colegas.
“O pescoço possibilitou o avanço em movimentos e na destreza em ambientes terrestres e aéreos. Essa inovação em biomecânica ocorreu simultaneamente a mudanças no modo em que o sistema nervoso controla os membros”, disse Bass.
De acordo com o pesquisador, o surgimento desse nível de plasticidade evolutiva provavelmente é responsável pela grande variedade de funções dos membros superiores, do voo em aves e do nadar em baleias e golfinhos às habilidades humanas.
O artigo Ancestry of motor innervation to pectoral fin and forelimb (doi:10.1038/ncomms1045), de Andrew Bass e outros, pode ser lido na Nature Communications em http://www.nature.com/ncomms/journal/v1/n4/full/ncomms1045.html
Autor(a)/Créditos: http://www.agencia.fapesp.br/materia/12534/divulgacao-cientifica/o-pescoco-da-evolucao.htm
De sua opinião sobre; O QUE VC ACHA DA EVOLUÇÃO?
MEDO!!!!!

Feromônio do medo
18/05/10
Agência FAPESP – Um grupo de pesquisadores do Brasil e dos Estados Unidos descobriu um composto químico que, secretado por diversos predadores, provoca o comportamento de medo em camundongos. A pesquisa, segundo os autores, contribui para aumentar a compreensão sobre o comportamento animal pode abrir caminho, no futuro, a entender como as informações sensoriais são processadas no cérebro humano.
O artigo que descreve os resultados do estudo – e foi capa da edição da última sexta-feira (14/5) da revista Cell – é assinado por Fabio Papes, professor do Instituto de Biologia da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), Darren Logan e Lisa Stowers, pesquisadores do Instituto de Pesquisa Scripps, dos Estados Unidos.
Os experimentos foram apresentados e explicados pelos pesquisadores em vídeo disponibilizado pela Cell na internet.
De acordo com Papes, metade de sua contribuição à pesquisa foi realizada durante seu pós-doutorado no instituto norte-americano, entre 2006 e 2008. De volta ao Brasil há um ano e oito meses, deu continuidade aos estudos na Unicamp, com apoio da FAPESP na modalidade Auxílio à Pesquisa – Jovem Pesquisador.
Segundo ele, o estudo demonstrou que no órgão vomeronasal – órgão presente nas narinas de muitas espécies de animais e capaz de captar os mensageiros químicos conhecidos como feromônios – há neurônios específicos para detectar as moléculas que induzem ao medo.
Pelos próximos três anos, com o projeto Jovem Pesquisador, Papes estudará quais são os receptores que detectam essas moléculas, de que maneira essa detecção resulta em atividade elétrica no cérebro e como esse processo é interpretado para gerar um comportamento.
“A compreensão desse sistema poderá nos ajudar no futuro a controlar problemas como fobias, o estresse pós-traumático – que gera custos sociais muito grandes –, síndrome do pânico e esquizofrenia, por exemplo”, disse Papes à Agência FAPESP.
De acordo com Papes, nos sistemas sensoriais da visão, da audição e do olfato, os estímulos físicos – respectivamente a luz, o som e as moléculas – são transformados pelo sistema nervoso em atividade elétrica. Esses impulsos elétricos transmitidos por células neurais, são interpretados e transformados em respostas comportamentais ou hormonais.
“O estudo dessa transformação é importante do ponto de vista médico, porque doenças mentais, neurodegenerativas e fobias estão ligadas a esse mecanismo. O sistema olfativo é um excelente modelo para o estudo dessa transformação, porque a ligação entre estímulo e comportamento é direta, independente do aprendizado e da memória. Os animais respondem de maneira inata a algumas moléculas”, explicou.
Camundongos mutantes
O medo, de acordo com Papes, por ser um comportamento que tem relação com o sistema olfativo e gera respostas inatas em animais, foi escolhido como foco do estudo. Dados da literatura mostravam que camundongos de laboratório respondiam de maneira inata ao odor de seus predadores sem qualquer contato visual com eles – mesmo que jamais tivessem sido expostos a esses odores.
“Os animais reagiam com comportamento de medo mesmo sem qualquer experiência prévia com os predadores. Isso indicava que os camundongos tinham genes que os preparavam para detectar os odores e dar uma resposta comportamental. Decidimos então estudar a lógica dessas respostas sob o ponto de vista molecular: quais são os compostos envolvidos, quais são os receptores e como os neurônios envolvidos fazem a transformação do estímulo em comportamento de medo”, disse Papes.
O órgão volmeronasal, descoberto há cerca de 200 anos e presente em todos os vertebrados terrestres, segundo Papes, é um tubo de fundo cego que está conectado à cavidade nasal por um canículo. A parede em torno de seu centro vazado é formada por neurônios expostos ao meio – algo incomum nos organismos. “O órgão está envolvido na geração de diversos comportamentos, sejam eles sexuais, de agressividade e, como agora mostra a nova pesquisa, de medo”, disse.
Com as novas tecnologias disponíveis, que permitem manipular geneticamente os camundongos, foram criadas linhagens de animais mutantes cujo órgão volmeronasal não possui função. Com isso, tornou-se possível determinar com certeza quando o órgão está ou não envolvido com uma resposta comportamental.
“O experimento inicial consistiu em avaliar a resposta de medo de camundongos a odores de diversos predadores, como gatos, cobras, ratos e furões.Ao contrário dos camundongos normais, que têm respostas comportamentais a esses odores, os animais mutantes não tiveram resposta apropriada. Ao contrário, a resposta originalmente defensiva se transformou em resposta atrativa: os mutantes eram atraídos pelo odor dos predadores”, afirmou.
Além da exposição aos odores, os camundongos também foram colocados juntos aos predadores anestesiados. O resultado foi surpreendente: os camundongos mutantes foram atraídos pelos predadores, ainda que os outros sistemas sensoriais não estivessem alterados. Com essa abordagem genética e celular, os pesquisadores confirmaram o envolvimento do órgão volmeronasal com as respostas comportamentais.
Identificando a “proteína do medo”
O próximo passo consistia em descobrir quais são as moléculas e os odores que induzem à resposta comportamental. Não se trata de uma busca trivial: os odores são formados de compostos complexos, em concentração muito baixa. “São moléculas soltas no ar”, disse Papes. O grupo decidiu estudar os odores que induzem à resposta de medo na urina de ratos. O material foi submetido a um fracionamento bioquímico, isto é, a mistura complexa foi dividida em diversas frações de compostos purificados.
“Testamos cada uma das frações em ensaios comportamentais até identificar o composto purificado que induz ao comportamento de medo em resposta à urina de rato. Analisamos esse composto com espectrometria de massas para identificar seus componentes e descobrimos que se tratava de proteínas – algo incomum, pois a maior parte dos odores correspondem a moléculas pequenas e voláteis”, disse.
A proteína descoberta, segundo Papes, pertence à família das Proteínas Majoritárias da Urina (MUP, na sigla em inglês), que são secretadas na urina, na saliva, no suor, e no sangue. Um experimento complementar foi feito para provar que a proteína era de fato responsável pelo estímulo: a molécula foi produzida sinteticamente, a fim de garantir que não houve qualquer contaminação, e os animais foram novamente expostos a ela. O fenômeno comportamental permaneceu semelhante ao observado com o odor da urina de rato.
Em seguida, os cientistas procuraram determinar quais eram as células sensoriais envolvidas. O tubo do órgão vomeronasal é recoberto por neurônios que não são homogêneos: cada um tem um receptor diferente. A complexidade do sistema olfativo é muito ampla, segundo Papes. Na retina há três tipos de receptores, o que permite enxergar milhões de cores diferentes. Enquanto isso, no sistema olfativo, existem mais de 1.500 receptores – é a maior família de proteínas existente na natureza.
“Isso acontece porque a quantidade de moléculas detectadas pelo sistema olfativo é muito mais ampla que as faixas do espectro de luz. No caso dos humanos, o sistema visual suplantou a capacidade olfativa, mas para todas as espécies de mamíferos o olfato é o principal sistema sensorial”, disse o cientista.
Neurônios específicos
Se cada neurônio dentro do tubo do órgão vomeronasal expressa proteínas diferentes, os cientistas queriam saber se existem células específicas para detectar exclusivamente os “feromônios do medo”. Para entender a lógica celular do processo, os pesquisadores realizaram mais um experimento, utilizando a técnica conhecida como cálcio intracelular.
Esse experimento consistiu em colocar dentro de uma célula neuronal um corante fluorescente que responde ao cálcio. Quando a célula é ativada, o cálcio penetra em seu interior e se liga ao corante. Com uma técnica especial de microscopia, o grupo conseguiu observar com precisão quando a célula neuronal com corante era ativada. Como se trata de um pequeno órgão no interior da cabeça, o experimento não podia ser feito in vivo. Assim, o órgão vomeronasal foi removido e os neurônios foram estudados in vitro.
“Expusemso esses neurônios com corante fluorescente aos odores. Assim pudemos constatar que de fato as proteínas que identificamos – esse ‘feromônios do medo’ – eram detectados, no órgão vomeronasal, por uma população de neurônios específica para esse tipo de estímulo”, afirmou Papes.
A partir de agora, o cientista se dedicará a estudar quais são os receptores que, nesses neurônios especiais, detectam as MUP e de que maneira essa detecção resulta em atividade elétrica dentro do cérebro.
O artigo The Vomeronasal Organ Mediates Interspecies Defensive Behaviors through Detection of Protein Pheromone Homologs, de Fabio Paepes, Darren Logan e Lisa Stowers, pode ser lido por assinantes da Cell em http://www.cell.com
Reduzir o tamanho da classe X ampliar o tempo de instrução
- •Aumentar o número de alunos por professor
- •Adotar recursos para melhor o rendimento
- •Tamanho da classe não incide no rendimento escolar
- •Estender o ano escolar (modelo europeu) x reforma profunda no ensino
- ••Atribuir tarefas para casa
O que você pensa sobre isso? De seu comentario.
Até quando isso vai continuar???

Belém (12/08/2010) – Traficantes da fauna silvestre tentaram nesta quinta-feira (12/08) enviar pelo correio três jibóias-arco-íris (Epicrates cenchria) e uma periquitambóia (Corallus Caninus) de Belém, no Pará, para uma chácara em São Paulo. As serpentes amazônicas foram despachadas escondidas numa caixa de Sedex, cada uma dentro de um saco de pano, mas foram reveladas pelo sistema de Raio-X da agência dos Correios Telégrafo Sem-fio, no centro da capital. Os bombeiros foram chamados pelos funcionários para recolher o pacote, que foi entregue ao Ibama.
“A forma como os animais eram transportados é típica do tráfico. Já apreendemos cobras dentro de sacos e meias presos à cintura de passageiros até no embarque do aeroporto Val-de-Cães”, diz o chefe da Divisão de Fauna do Ibama no Pará, Leandro Aranha. Segundo ele, tanto a jibóia-arco-íris, que está ameaçada de extinção, como a periquitambóia, são muito procuradas para serem criadas como animais de estimação por serem dóceis e coloridas.
No início da tarde, agentes da Divisão de Fiscalização do órgão ambiental vistoriaram o local indicado pelo remetente das serpentes, mas o endereço era falso. A Superintendência do Ibama em São Paulo vai inspecionar a chácara para onde elas seriam despachadas em buscas de evidências de cativeiro de animais silvestres.
Se identificados, os autores do crime ambiental serão multados em R$ 15,5 mil e responderão a processos civis e penais. As serpentes serão devolvidas à natureza ou destinadas a criatórios conservacionistas, após exame dos veterinários do Ibama.
A legislação ambiental hoje não permite a criação de cobras como animal de estimação, a não ser que possuam identificação por microchip, e tenham origem comprovadamente legal. Ou seja, tenham sido adquiridas dos criadouros autorizados pelo Ibama antes da proibição da legislação, e nunca capturadas na natureza.
Fotos: Nelson Feitosa
Autor(a)/Créditos: Nelson Feitosa - Ascom/Ibama/PA




